PROJETO  

Apresentação

O grupo Carta/Borda foi criado com a intenção de resgatar o conceito da Mail Art/Arte Postal/Arte Correio, mas com vista à contemporaneidade e com procedimento diferente. O processo do transporte é o mesmo, o Correio, mas o conteúdo distinto. No lugar de cartas, temos bordados. A concepção do Carta/Borda nasce como resultado de outro projeto também concebido a partir da Arte postal, o Carta/Obra.

 

Inicialmente, os artistas, todos adicionados da rede social Facebook, se cadastraram e enviaram suas Cartas/Obras (nome dado as suas obras de arte postal) para o endereço residencial da artista plástica Suyan de Mattos, autora do projeto. Suyan respondeu cada Carta/Obra com outra arte postal. A partir do sucesso das correspondências, decidiram abrir outro grupo que todos pudessem trocar suas Cartas/Obras. A partir de então, abrimos um website: www.cartaobra.com

O projeto tratou de conceber uma exposição com os artistas convidados que participaram da Arte Postal no Brasil e no exterior com os artistas do grupo Carta/Obra, pois um dos aspectos lícitos do Carta/Obra é que, mesmo que tenha sido não intencional, ele traz a questão da filiação nas artes, dos desdobramentos, entre diferentes gerações.

Realizamos na deCurators Galeria, em Brasília/DF, em 2016, a exposição Carta/Obra, que paralelamente teve sua abertura no Ateliê Casa 3, em Piracicaba/SP. Em 2017, tivemos outra mostra em Visconde de Mauá/RJ. E neste ano, 2018, a terceira e última exposição do Carta/Obra no Centro Cultural Brasil México, mas com características diferenciadas do original. Na Cidade do México três artistas integrantes do nosso coletivo, Maria Helena Leal Lucas, Chungtar/Chong Lopez e Allyda DVillers receberam de todos os demais artistas Cartas/Obras e eles mandaram entre si, contabilizando um total de 333 Cartas/Obras.

 

Atualmente, estamos desenvolvendo o Carta/Borda. O nosso desempenho do ato de ornar superfícies de vários tipos de suporte, não somente o tradicional tecido, provocará uma ramificação de identidades culturais já que estaremos agregando uma técnica milenar com o fazer contemporâneo. Somos um grupo de artista heterogêneo, de vários lugares, de estados brasileiros, do México, Venezuela, Uruguai, Argentina, Espanha e Itália. A partir desta multiplicidade de lugares e culturas, teremos bordados reproduzindo o seu meio tanto físico como mental.

Justificativa Bordado

 

Ao contrário de outros artesanatos têxteis, o bordado teve desde suas origens uma função essencialmente estética e não utilitária, e  por isso se tornou um campo muito atraente para a arte popular.

 

Bordado é a arte de ornamentar os tecidos com fios diferentes, formando desenhos. Esse trabalho executa-se à mão ou à máquina, com agulhas de várias grossuras e feitios, inclusive as de gancho ou crochê. Os fios empregados para bordar podem ser os mais variados: de algodão, seda, linho, ráfia, ouro e prata, e ainda de fibra sintética, náilon, acrílico e celofane. O bordado, além dos fios, complementa-se com outros elementos que vão de materiais preciosos, como ouro, prata, pérolas, pedras preciosas, lantejoulas e canutilhos, até os mais rústicos, como sementes, conchinhas, palha, contas de vidro ou de madeira etc. O bordado pode ser plano ou em relevo, que por vezes o torna semelhante a uma escultura.

 

Presume-se que o bordado seja uma das artes aplicadas mais antigas, que deve ter surgido logo após a descoberta da agulha (pré- história com agulhas de osso). Por serem executados em material perecível, o tecido, os mais antigos bordados não se conservaram. Para estudá-los é preciso recorrer à documentação fornecida por monumentos antigos, em cujos baixos-relevos, esculturas, pinturas e gravuras são representados.

 

Atualmente, há duas categorias de bordado, o tradicional e o contemporâneo, onde é possível empregar todo tipo de material e   suporte.

 

Justificativa Arte Postal

 

Em sua evolução, o correio como veículo ou meio de transporte de informações surge primeiramente da necessidade que o homem tem de se comunicar, como nos informa Ronaldo Gifalli e Aniceh Farah Neves. O que era, nos primórdios, uma comunicação face a face, evolui para um sistema que vai enviar as mensagens através do tempo e espaço. A Arte Postal é um produto da comunicação influenciado pelos meios de informação de massa, a partir da década de 50, e que se utiliza do correio como principal suporte para um intercâmbio de objetos. A mistura de signos é seu procedimento principal. Ela evidencia um caráter informativo, efêmero e marginal entre produtores emissores/receptadores, num fluxo contínuo.

 

Júlio Plaza afirma que “os artistas da arte postal tem a seu dispor o mundo da informação, interagindo dentro dele, criando e recriando, traduzindo e manipulando a informação através desses meios”. Na medida em que valoriza a comunicação, a Arte Postal foi o primeiro fenômeno da história da arte a ser realmente globalizado. Reunindo artistas de todas as nacionalidades e diferentes inclinações ideológicas, mas compartilhando um mesmo objetivo comum, buscou-se novas possibilidades de se experimentar e trocar trabalhos numa rede livre e fora do mercado oficial da arte. A Arte Postal é, certamente, uma das primeiras manifestações artísticas a tratar com a comunicação em rede, em grande escala.

 

A Arte Postal faz parte de um mundo global e se desenvolve entre pessoas ou grupos das mais diferentes formações e culturas. Passou a ser conhecida fora de seus próprios círculos, tornando-se um modelo de comunicação criativa antes mesmo da chegada da Internet. A estética da Arte Postal, como no Dada, é o da não estética. Na verdade, não há essa preocupação: ela vem “negar-se a si própria” como objeto de arte e apresentar a proposta de possuir caráter exclusivamente funcional e informativo. Dentro dessa funcionalidade informacional, os seus produtores operam através dos diferentes signos, mensagens com caráter publicitário, produzidas pela sociedade. Utiliza-se quase sempre do processo do bricoler e transforma qualquer tipo de ideia em objetos de consumo imediato.

 

Muitas mostras de Arte Postal entraram pela década de 90, ainda que na condição de acontecimento já saturado na década de 80. Atualmente, o fator surpresa, estranhamento e imprevisibilidade em receber objetos de diversos países atrai jovens artistas e estudantes de artes a praticar algumas propostas nesse domínio. Entretanto, cada vez mais esta ação comunicativa envolvendo trocas de mensagens e imagens se estabelece nas chamadas redes sociais.

 

Nesta era da telearte, da estética fractal e da robótica, a Arte/Correio, Art/Postal, Mail/Art, (por que não Carta/Borda?) continua em processo intensivo no mundo inteiro, caminhando paralelamente a e-mail @rt ou correio eletrônico, que pode ser utilizado de forma conceitual e a utilização de equipamentos de multimeios como o fax, o vídeo, o rádio, internet e o cinema, dentre outras múltiplas possibilidades pós-modernas deste complexo contexto arte/vida.

 

Devemos seguir a trilha da visão de Julio Plaza. "Entretanto, não interessa aqui definir o que é e não é Mail Art, pois nesse tipo de arte predomina o espírito de mistura de meios e de linguagens e o jogo é precisamente invadir outros espaço-tempo". E conclui: "O artista da Mail Art, então, tem a seu dispor o mundo da informação, interagindo dentro dele, criando e recriando, traduzindo e manipulando a informação através desses meios."

 

Memória Descritiva

 

1º grupo fechado, por meio de convites

 

2º curadoria de Suyan de Mattos e Mag Campos

 

3º os artistas podem convidar outros artistas para participar, mas antes tem que passar pela aprovação

 

4º a dinâmica do grupo acontecerá igual da arte postal: enviar um bordado para outro artista

 

5º ter o compromisso de responder a Carta/Borda que receber

 

6º ter que mandar 9 bordados para 9 artistas deste grupo

 

7º se receber uma Carta/Borda de um artista que não enviou um bordado, terá a responsabilidade de responder com outro bordado

 

8º por conta do desempenho, o artista poderá fazer mais que 9 bordados

 

9º o suporte do bordado será livre: pano, papel ou outro a sua escolha, MAS QUE NÃO SEJA PERECÍVEL

 

10° as linhas não não necessariamente precisam ser as clássicas, pode usar outras, MAS QUE NÃO SEJA PERECÍVEL

 

11° nove bordados de 20 x 20 cm enviados a 9 artistas

12º os artistas terão 12 meses para mandar os 9 bordados para os 9 artistas

 

13º faremos um Folder/Borda para ser distribuídos entre os artistas e durante a exposição

 

14º este Folder/Borda será bancado pelos artistas; faremos uma vaquinha; geralmente não passa de 50 reais por artista e ainda sobra para fazermos os vinis de apresentação e de texto para a exposição

 

15º atualmente somos 40 artistas do Brasil, México, Venezuela, Argentina, Uruguai, Espanha, França e Itália

 

Curadoria de Suyan de Mattos e Mag Campos

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